A compra da Activision Blizzard pela Microsoft foi anunciada em 18 de janeiro de 2022. O valor, US$ 68,7 bilhões, ou US$ 95 por ação em dinheiro, fez dela a maior aquisição da história dos games e a maior da própria Microsoft. Com o negócio, o Xbox passaria a controlar Call of Duty, World of Warcraft, Diablo, Overwatch e Candy Crush, da King.
No comunicado oficial, a empresa disse que se tornaria a terceira maior companhia de games do mundo em receita, atrás de Tencent e Sony.
Call of Duty no centro da disputa
A Sony foi a principal opositora do negócio. O argumento era que a Microsoft poderia tornar Call of Duty exclusivo do Xbox ou piorar as versões para PlayStation. A Microsoft respondeu oferecendo contratos de dez anos para manter a série em outras plataformas e fechou acordos com Nintendo, em dezembro de 2022, e com a própria Sony, em julho de 2023.
A Sony levou o argumento a reguladores de vários países, incluindo o Brasil, dizendo que Call of Duty não tinha substituto à altura no mercado. A Microsoft rebateu afirmando que seria um erro comercial tirar do PlayStation uma das séries mais vendidas da plataforma.
O Brasil foi um dos primeiros países a aprovar o negócio. Em 5 de outubro de 2022, o Cade deu sinal verde sem restrições e concluiu que, mesmo que os jogos da Activision ficassem exclusivos, a concorrência não seria prejudicada de forma substancial.
A batalha com FTC e CMA
Nos Estados Unidos e no Reino Unido, a história foi outra:
- Em 8 de dezembro de 2022, a FTC, órgão de defesa da concorrência dos Estados Unidos, entrou com ação para barrar a compra.
- Em 26 de abril de 2023, a CMA, autoridade britânica, bloqueou o negócio por preocupações com o mercado de jogos na nuvem.
- Em maio de 2023, a Comissão Europeia aprovou a compra com compromissos sobre jogos na nuvem.
- Em 11 de julho de 2023, a juíza Jacqueline Scott Corley negou o pedido da FTC para suspender a compra nos Estados Unidos.
A CMA chegou a ser o único grande obstáculo restante. A Microsoft criticou duramente a decisão britânica em abril de 2023 e recorreu, mas depois suspendeu o recurso para negociar uma nova versão do acordo.
Para convencer a CMA, a Microsoft reestruturou a operação e vendeu à Ubisoft os direitos de streaming na nuvem dos jogos atuais e dos lançados nos 15 anos seguintes pela Activision Blizzard para PC e console, fora do Espaço Econômico Europeu. Com isso, a autoridade britânica aprovou o novo formato em 13 de outubro de 2023, e a Microsoft concluiu a compra no mesmo dia, cerca de 21 meses após o anúncio.
Ao aprovar o novo formato, Sarah Cardell, executiva-chefe da CMA, disse que a venda dos direitos à Ubisoft impedia a Microsoft de ter um controle sufocante sobre o mercado de jogos na nuvem.
O que aconteceu depois da compra da Activision
Os anos seguintes tiveram cortes e mudanças de rumo. Em janeiro de 2024, a Microsoft demitiu cerca de 1.900 pessoas do Xbox e da Activision Blizzard. Em outubro de 2024, Call of Duty: Black Ops 6 foi o primeiro jogo da série a estrear no Game Pass no dia do lançamento. Em julho de 2025, novas demissões na Microsoft atingiram a divisão de games, que cancelou projetos como o novo Perfect Dark e fechou o estúdio The Initiative.
A FTC perdeu o recurso no Tribunal de Apelações do Nono Circuito em maio de 2025 e, em 22 de maio daquele ano, desistiu do processo administrativo contra a compra. Em fevereiro de 2026, Phil Spencer, que conduziu a aquisição, se aposentou, e Asha Sharma assumiu como CEO da Microsoft Gaming.
Hoje, Call of Duty segue no PlayStation e no PC, a Microsoft lança seus jogos também em consoles rivais e o Xbox depende cada vez mais de serviços e de catálogo. A compra que parecia destinada a criar exclusivos acabou servindo, sobretudo, para fazer da Microsoft uma das maiores publicadoras de games do mundo em todas as plataformas.
Imagem de capa: Activision / Steam · divulgação




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