Em 2 de julho de 2025, a Microsoft anunciou o corte de cerca de 9 mil vagas, menos de 4% de sua força de trabalho global, e as demissões no Xbox estiveram entre as mais visíveis. No mesmo dia, a divisão de games cancelou Perfect Dark e Everwild, encerrou outros projetos ainda não anunciados e fechou a The Initiative, estúdio criado em 2018 para fazer jogos de grande orçamento. Foi a quarta rodada de cortes na Microsoft Gaming em cerca de um ano e meio.
O que foi cortado
A notícia veio em dois memorandos internos. No primeiro, Phil Spencer, então presidente-executivo da Microsoft Gaming, escreveu que a empresa iria "encerrar ou reduzir o trabalho em certas áreas" e eliminar camadas de gestão. No segundo, Matt Booty, presidente de conteúdo e estúdios, detalhou o impacto: "Tomamos a decisão de interromper o desenvolvimento de Perfect Dark e Everwild", escreveu.
O alcance foi amplo:
- The Initiative: fechada. O estúdio de Santa Monica desenvolvia o novo Perfect Dark em parceria com a Crystal Dynamics.
- Rare: perdeu Everwild, anunciado em 2019 e reiniciado mais de uma vez.
- ZeniMax Online Studios: teve cancelado um MMO inédito, que a Bloomberg identificou pelo codinome Blackbird; o chefe do estúdio, Matt Firor, deixou a empresa.
- King: cerca de 10% do quadro, ou 200 pessoas, segundo a Bloomberg.
- Turn 10, Raven Software e Blizzard: também tiveram demissões, de acordo com a imprensa americana. Na Blizzard, o jogo para celular Warcraft Rumble passou a receber apenas manutenção.
Perfect Dark, o símbolo do cancelamento
Perfect Dark havia sido anunciado no The Game Awards de 2020 como o primeiro jogo da The Initiative, um retorno da agente Joanna Dark, personagem criada pela Rare no Nintendo 64. Em junho de 2024, o Xbox Games Showcase mostrou o primeiro trecho de jogabilidade, ambientado no Cairo, e a recepção foi positiva. Um ano depois, o projeto foi encerrado antes de ganhar data.
O contraste entre os cortes e o discurso oficial chamou atenção. No mesmo memorando das demissões, Spencer afirmou que o roteiro de plataforma, hardware e jogos do Xbox "nunca pareceu tão forte". Booty disse que mais de 40 projetos seguiam em desenvolvimento e que a estratégia de portfólio não mudava.

O que as demissões disseram sobre o Xbox
Os cortes de julho de 2025 vieram depois de outras rodadas: cerca de 1.900 demissões em janeiro de 2024, logo após a compra da Activision Blizzard, e o fechamento de estúdios como Tango Gameworks e Arkane Austin em maio de 2024. Juntos, deixaram claro que a Microsoft passou a cobrar do Xbox resultado financeiro, e não apenas crescimento.
Os meses seguintes confirmaram a mudança de rumo:
- Jogos em outras plataformas: títulos da Microsoft passaram a sair também no PlayStation 5, numa estratégia multiplataforma cada vez mais ampla.
- Game Pass mais caro: em outubro de 2025, a Microsoft reorganizou os planos e o Ultimate subiu de US$ 19,99 para US$ 29,99 por mês nos Estados Unidos. No Brasil, foi de R$ 59,99 para R$ 119,90.
- Consoles mais caros: o Xbox Series X subiu três vezes nos Estados Unidos entre maio de 2025 e agosto de 2026, quando chegou a US$ 799,99.
O que aconteceu depois
A mudança chegou ao topo em 20 de fevereiro de 2026. Phil Spencer anunciou a aposentadoria, após 38 anos na Microsoft e 12 no comando dos games, e Sarah Bond, presidente do Xbox e vista como sucessora natural, deixou a empresa. Asha Sharma, que comandava a área de IA da Microsoft, assumiu a Microsoft Gaming, e Matt Booty foi promovido a diretor de conteúdo.
Mais de um ano depois dos cortes, Perfect Dark e Everwild seguem cancelados, e a The Initiative não existe mais. Para o fã do Xbox, julho de 2025 ficou como o momento em que a marca deixou de prometer exclusivos a qualquer custo e passou a se comportar como uma editora que precisa dar lucro.
Imagem de capa: Microsoft / Xbox Wire · divulgação




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