Em 21 de outubro de 2026, a Electronic Arts anunciou que fecha a BioWare, estúdio canadense de Mass Effect e Dragon Age, e encerra o desenvolvimento inicial do próximo Mass Effect. A decisão fez parte de uma reestruturação com cerca de 400 demissões, aproximadamente 3% dos funcionários da empresa, segundo a Bloomberg. Cerca de 50 das vagas eram da BioWare, e o fechamento da BioWare encerra uma trajetória de três décadas.
O que disse a EA ao fechar a BioWare
O comunicado interno foi assinado por Cam Weber, chefe de estúdios, e David Tinson, diretor de operações. "Nos últimos meses, fizemos uma análise rigorosa do nosso negócio e de como operamos", escreveram. Segundo o texto, a empresa decidiu não seguir com o desenvolvimento do novo Mass Effect, o que levou ao fechamento do estúdio e do escritório de Edmonton. A EA chamou a BioWare de "um estúdio lendário que ajudou a definir o gênero de RPG" e disse que vai ajudar os afetados a buscar outras vagas na empresa.
O mesmo memorando informou que seguem os trabalhos em Marvel's Iron Man e no próximo Star Wars Jedi, e que Respawn e DICE vão colaborar num projeto futuro. Dias depois, a Bloomberg relatou, com base em fontes anônimas, que a EA preferiu financiar um novo Star Wars: Battlefront a bancar duas ficções científicas de orçamento altíssimo ao mesmo tempo. A EA não confirmou a ligação.
A BioWare se despediu nas redes sociais. "Há mais de 30 anos, a BioWare é mais do que um estúdio", escreveu, acrescentando que não havia "nada fácil" em escrever aquelas palavras. O fechamento veio pouco mais de dois meses depois de a EA concluir sua venda a um consórcio liderado pelo fundo saudita PIF, por cerca de US$ 55 bilhões.
Trinta anos de BioWare
A BioWare foi fundada em 1995, em Edmonton, por três médicos recém-formados: Ray Muzyka, Greg Zeschuk e Augustine Yip. O primeiro jogo, Shattered Steel, saiu em 1996, mas a fama veio com Baldur's Gate, de 1998, que vendeu mais de 2 milhões de cópias. Seguiram-se Baldur's Gate II, Neverwinter Nights (2002) e Star Wars: Knights of the Old Republic (2003), considerado até hoje um dos melhores RPGs já feitos.

Em 2007, a EA comprou a holding dona da BioWare e da Pandemic Studios por US$ 775 milhões. No mesmo ano saiu Mass Effect, que deu origem a uma das trilogias mais influentes dos games. Dragon Age: Origins veio em 2009, Star Wars: The Old Republic, primeiro MMO do estúdio, em 2011, e Mass Effect 3, cujo final gerou uma revolta histórica de fãs, em 2012. Dragon Age: Inquisition, de 2014, tornou-se o maior sucesso comercial da casa, com mais de 12 milhões de cópias.
Do auge ao fechamento
A queda começou com Mass Effect: Andromeda, de 2017, recebido com críticas a problemas técnicos. Anthem, de 2019, uma aposta em jogo como serviço, decepcionou e teve um plano de reformulação cancelado em 2021; seus servidores foram desligados em janeiro de 2026. A coletânea Mass Effect: Legendary Edition, de 2021, foi o último respiro da série.
Dragon Age: The Veilguard, lançado em 31 de outubro de 2024, teve boas notas, mas o presidente-executivo da EA, Andrew Wilson, disse que o jogo vendeu cerca de metade do esperado. No início de 2025, a EA demitiu parte da equipe e deixou a BioWare com menos de 100 pessoas, todas concentradas no novo Mass Effect, anunciado com um teaser em dezembro de 2020.
O que acontece com Mass Effect e Dragon Age
As marcas continuam com a EA, mas a empresa não disse o que fará com elas. Também segue incerto o destino da série de TV de Mass Effect anunciada pela Amazon MGM Studios. Entre os fãs, uma petição pela continuidade da série passou de 275 mil assinaturas. Casey Hudson, ex-diretor da trilogia original, resumiu o sentimento ao chamar a notícia de triste "em várias frentes".
Para muitos jogadores brasileiros que cresceram com Knights of the Old Republic, Mass Effect e Dragon Age, o fim da BioWare marca o encerramento de uma era dos RPGs ocidentais e o caso mais simbólico dos cortes que se seguiram à venda da EA.
Imagem de capa: BioWare / Electronic Arts / Steam · divulgação




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