A compra da Bethesda pela Microsoft foi concluída em 9 de março de 2021. O negócio, anunciado em setembro de 2020 e avaliado em US$ 7,5 bilhões, colocou sob o guarda-chuva do Xbox a ZeniMax Media, dona da Bethesda Softworks e de estúdios como Bethesda Game Studios, id Software, Arkane, MachineGames, ZeniMax Online e Tango Gameworks. Junto vieram séries como The Elder Scrolls, Fallout, Doom, Wolfenstein e Dishonored.
A compra foi aprovada sem condições pelos reguladores dos Estados Unidos e da União Europeia e, na época, era a maior aquisição já feita pelo Xbox. O objetivo declarado era reforçar o Game Pass, serviço de assinatura da Microsoft, com séries conhecidas e com os próximos lançamentos dos estúdios da ZeniMax, que passariam a estrear no catálogo no dia do lançamento.
Logo depois da conclusão, a Microsoft adicionou ao Game Pass cerca de 20 jogos da Bethesda, entre eles títulos das séries Fallout, The Elder Scrolls e Doom. Para o assinante brasileiro, foi o efeito mais imediato do negócio.
A promessa de exclusividade
No dia da conclusão, Phil Spencer, então chefe do Xbox, escreveu no Xbox Wire que alguns novos jogos da Bethesda seriam lançados apenas em Xbox e PC. Ele não disse quais. A frase alimentou anos de debate sobre o futuro de The Elder Scrolls VI e de Fallout fora do ecossistema da Microsoft.
Contratos assinados antes da compra foram respeitados. Deathloop, da Arkane Lyon, saiu em setembro de 2021 como exclusivo temporário do PS5, e Ghostwire: Tokyo, da Tango, seguiu o mesmo caminho em março de 2022.
Starfield e os exclusivos que vieram
O símbolo da compra foi Starfield, primeiro universo inédito da Bethesda Game Studios em 25 anos. O jogo saiu em 6 de setembro de 2023 apenas para Xbox Series X|S e PC, com estreia no Game Pass. Antes dele, Redfall, da Arkane Austin, também chegou só ao Xbox e ao PC, em maio de 2023, e foi mal recebido pela crítica. Hi-Fi Rush, da Tango, saiu de surpresa em janeiro de 2023 como exclusivo e virou um sucesso de crítica.
A virada multiplataforma
A partir de 2024, a Microsoft mudou de estratégia e passou a levar jogos próprios para outras plataformas. Hi-Fi Rush chegou ao PS5 em março de 2024. Dois meses depois, em maio, a empresa fechou a Arkane Austin e a Tango Gameworks, decisão que surpreendeu a indústria. A Tango acabou comprada pela sul-coreana Krafton, que ficou com a marca Hi-Fi Rush.
Os lançamentos seguintes da Bethesda confirmaram a mudança:
- Indiana Jones e o Grande Círculo saiu em dezembro de 2024 no Xbox e no PC e chegou ao PS5 em abril de 2025.
- The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered foi lançado de surpresa em abril de 2025 também no PS5.
- Doom: The Dark Ages estreou em 15 de maio de 2025 ao mesmo tempo no Xbox, no PC e no PS5.

O que aconteceu depois da compra da Bethesda
Nem Starfield ficou de fora. O jogo chegou ao PS5 em 7 de abril de 2026, com a atualização gratuita Free Lanes e a expansão paga Terran Armada. Segundo a Circana, foi o jogo mais vendido nos Estados Unidos na semana de estreia, com o PS5 respondendo por 95% das vendas de cópias completas naquele período. Estimativas independentes da Alinea Analytics, porém, falaram em cerca de 140 mil cópias no PS5 na primeira semana, número visto como modesto.
Phil Spencer se aposentou em fevereiro de 2026, e Asha Sharma assumiu a Microsoft Gaming. The Elder Scrolls VI, anunciado em 2018, ainda não tem data. Na prática, a exclusividade prometida em 2021 se resumiu a janelas de lançamento: os jogos da Bethesda continuam estreando no Game Pass, mas, mais cedo ou mais tarde, chegam também ao PlayStation.
Para o jogador brasileiro, a mudança tem efeito direto: quem tem só um PS5 acabou recebendo boa parte do catálogo que, em 2021, parecia destinado a ficar restrito ao Xbox.
Imagem de capa: Bethesda Softworks / Steam · divulgação




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