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Notícias● Atualizado em 4 de novembro de 2026

Venda da EA por US$ 55 bilhões: o maior LBO da história e seus efeitos

Anunciada em setembro de 2025 e concluída em 4 de agosto de 2026, a compra da EA pelo fundo saudita PIF e sócios tirou a empresa da bolsa e já trouxe cortes.

Prédios da sede da Electronic Arts em Redwood City, na Califórnia

A venda da EA foi o maior negócio do ano na indústria de games. Em 29 de setembro de 2025, a Electronic Arts anunciou que seria comprada por um consórcio formado pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF), pela gestora americana Silver Lake e pela Affinity Partners, de Jared Kushner, em uma operação avaliada em cerca de US$ 55 bilhões. O negócio foi concluído em 4 de agosto de 2026, e a dona de EA Sports FC, Battlefield e The Sims deixou a bolsa de valores.

Os números da venda da EA

Os acionistas receberam US$ 210 em dinheiro por ação, um prêmio de 25% sobre a cotação de US$ 168,32 do último pregão antes dos rumores, em 25 de setembro de 2025. O PIF, que já tinha 9,9% da empresa, manteve essa fatia dentro do negócio. Segundo o comunicado oficial:

  • o valor da empresa na operação foi de aproximadamente US$ 55 bilhões;
  • os compradores aportaram cerca de US$ 36 bilhões em capital próprio, incluindo a participação que o PIF já tinha;
  • o JPMorgan Chase garantiu US$ 20 bilhões em dívida, dos quais cerca de US$ 18 bilhões seriam usados no fechamento;
  • Andrew Wilson seguiria como presidente-executivo, e a sede continuaria em Redwood City, na Califórnia.

A própria EA apresentou a transação como a maior aquisição de capital fechado totalmente em dinheiro da história. Pelo tamanho da dívida envolvida, ela é tratada como o maior LBO (compra alavancada) já feito, e é o segundo maior negócio da história dos games, atrás apenas da compra da Activision Blizzard pela Microsoft por US$ 68,7 bilhões.

Aprovações, críticas e fechamento

Os acionistas aprovaram a venda em 22 de dezembro de 2025. Antes disso, o negócio já sofria críticas. Em outubro de 2025, os senadores americanos Richard Blumenthal e Elizabeth Warren enviaram carta ao Departamento do Tesouro e à EA com preocupações sobre a influência estrangeira e o uso de dados de consumidores. O sindicato United Videogame Workers-CWA alertou que a dívida poderia ser paga com demissões. Analistas lembraram que juros de uma dívida desse porte costumam pressionar orçamentos e reduzir a disposição de correr riscos.

Depois das aprovações regulatórias, incluindo a da Comissão Europeia, a EA anunciou a conclusão em 4 de agosto de 2026, em comunicado oficial. As ações deixaram de ser negociadas e foram retiradas da Nasdaq. No ano fiscal de 2026, a empresa teve receita líquida de cerca de US$ 7,5 bilhões. No anúncio, Egon Durban, da Silver Lake, disse que o consórcio pretende investir pesado no crescimento da EA, "incluindo o que a IA pode fazer para melhorar o desenvolvimento de jogos".

As consequências: cortes e o fim da BioWare

O primeiro grande efeito veio menos de três meses depois. Em 21 de outubro de 2026, a EA anunciou uma reestruturação com cerca de 400 demissões, aproximadamente 3% do quadro, segundo a Bloomberg. No mesmo pacote, fechou a BioWare, estúdio canadense de Mass Effect e Dragon Age, e encerrou o desenvolvimento inicial do próximo Mass Effect. A empresa afirmou que segue com projetos como Marvel's Iron Man e o próximo Star Wars Jedi, e que Respawn e DICE vão trabalhar juntas em um novo jogo.

Para o jogador brasileiro, a mudança de dono não alterou os produtos de imediato: EA Sports FC, um dos jogos mais populares do país, continua com lançamentos anuais, e Battlefield 6 segue com temporadas. O que mudou foi a lógica da empresa. Sem acionistas na bolsa e com bilhões em dívida para pagar, a EA passou a priorizar suas maiores franquias, e o fechamento da BioWare é o sinal mais claro de que projetos caros e de retorno incerto ficaram mais difíceis de aprovar.

Por que o negócio importa

A compra coroa a estratégia saudita de investir pesado em games. O PIF já era acionista minoritário da EA havia mais de cinco anos antes do acordo e, com a operação, passou a controlar uma das maiores publicadoras do Ocidente, dona de franquias esportivas licenciadas por ligas e federações do mundo todo. Para o setor, o negócio também mostrou que, mesmo depois da onda de demissões iniciada em 2023, ainda havia apetite por grandes aquisições, desde que apoiadas em dívida e em promessas de corte de custos.

Imagem de capa: King of Hearts / Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0

ABPor André Bayer

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