Em 1º de abril de 2023 começou a VCT Americas, a liga internacional da Riot Games que reuniu dez organizações das Américas em vagas fixas, sem rebaixamento. Três delas eram brasileiras: LOUD, FURIA e MIBR. O modelo, parecido com o das ligas franqueadas, mudou a forma como o Valorant era disputado no país e levou os principais jogadores brasileiros para Los Angeles.
A Riot anunciou os times parceiros em 21 de setembro de 2022, poucas semanas antes do título mundial da LOUD em Istambul. Além dos brasileiros, a liga das Américas tinha 100 Thieves, Cloud9, Evil Geniuses, NRG, Sentinels, a chilena KRÜ e a argentina Leviatán. Os parceiros não pagavam taxa de entrada e recebiam apoio financeiro da Riot; segundo a Dot Esports, o valor mínimo seria de US$ 600 mil por ano, com até US$ 400 mil extras conforme metas, números que a Riot não detalhou publicamente.
LOCK//IN São Paulo abre a nova era
A temporada de 2023 começou no Brasil. O VCT LOCK//IN, com 32 equipes das quatro ligas internacionais, foi disputado em São Paulo entre fevereiro e março. A LOUD chegou à final e perdeu para a Fnatic por 3 a 2 em 4 de março, numa série decidida no quinto mapa, Icebox. A decisão chegou a 1,4 milhão de espectadores simultâneos e é lembrada até hoje como uma das melhores partidas da história do jogo.
Depois do torneio, as equipes se mudaram para disputar a liga regional. Os jogos da VCT Americas passaram a ser realizados na Riot Games Arena, em Los Angeles, o que obrigou elencos e comissões técnicas brasileiras a viver nos Estados Unidos durante a temporada.

O que a VCT Americas mudou no Valorant brasileiro
A primeira edição da liga terminou em 28 de maio de 2023 com título da LOUD, que varreu a NRG por 3 a 0 na final (Ascent, Bind e Fracture) e ficou com o prêmio de US$ 100 mil. O resultado mostrou que o time campeão do mundo de 2022 seguia competitivo no novo formato. LOUD, Evil Geniuses e NRG garantiram as vagas das Américas no Masters de Tóquio, em junho, e no Valorant Champions 2023, em Los Angeles, vencido justamente pela Evil Geniuses.
Para o público brasileiro, o novo calendário teve um lado positivo e um negativo. A liga dava visibilidade constante e jogos semanais contra os melhores times do continente, mas as partidas aconteciam no horário da Califórnia e longe das arenas que lotavam no Brasil. Os eventos internacionais passaram a ser a principal chance de ver os times nacionais diante da torcida, como no próprio LOCK//IN.
As mudanças estruturais foram além dos resultados:
- Vagas fixas: LOUD, FURIA e MIBR não precisavam mais vencer qualificatórias nacionais para chegar ao circuito internacional;
- Divisão de acesso: o Challengers Brasil virou a segunda divisão, e o Ascension passou a dar acesso temporário à liga para os melhores times de cada região;
- Mercado de transferências: as três organizações passaram a disputar jogadores com times norte-americanos e latinos, e elencos mistos ficaram comuns;
- Distância da torcida: com a liga em Los Angeles, os times brasileiros passaram a jogar a maior parte da temporada longe do público local.
O que aconteceu depois
FURIA e MIBR demoraram a encontrar resultados. A MIBR foi a única brasileira no Valorant Champions 2025, em Paris, e terminou entre o 5º e o 6º lugar. A FURIA conquistou seu primeiro título regional no Kickoff da VCT Americas de 2026, ao vencer justamente a MIBR por 3 a 2 na final. A temporada de 2026 também levou à América Latina o primeiro evento global do VCT na região, o Masters de Santiago, no Chile. Em outubro, a LOUD voltou a ser campeã mundial, em Xangai.
No mesmo mês, a Riot definiu os parceiros do próximo ciclo, de 2027 e 2028, com oito times por liga em vez de dez. LOUD e MIBR foram mantidas; a FURIA, não. Dias depois, a organização anunciou que deixaria o Valorant competitivo misto em 2027 e liberou jogadores e comissão técnica a partir de 2 de novembro, quando abre o mercado de transferências. A FURIA disse que ainda dará detalhes sobre seu time feminino do Game Changers. A lista do novo ciclo foi reunida pela VLR.gg, e o anúncio da saída da FURIA foi noticiado pelo The Spike.
Imagem de capa: DJTechYT / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0




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