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E-Sports● Atualizado em 4 de novembro de 2026

Regras da Valve no CS2: fim das ligas fechadas e convites por ranking

Anunciadas em 2023 e em vigor desde 2025, as regras da Valve acabaram com os times parceiros de ESL e BLAST e passaram a distribuir convites pelo ranking oficial.

Arena lotada com público e luzes azuis durante a IEM Katowice 2019, Major de Counter-Strike

Em 1º de janeiro de 2025, entraram em vigor as novas regras da Valve para os campeonatos de CS2. Anunciadas mais de um ano antes, elas acabaram com as ligas em que organizadores e times dividiam receitas e vagas garantidas, e passaram a exigir que os convites para os grandes torneios seguissem o ranking oficial da Valve ou qualificatórias abertas. Foi a maior mudança na estrutura do Counter-Strike competitivo desde a criação dos Majors.

O anúncio de 2023

A Valve apresentou a ideia em 3 de agosto de 2023, em comunicado no qual defendeu que o Counter-Strike é melhor quando os times competem em igualdade de condições e só a habilidade limita o sucesso. Eram três exigências para organizadores de eventos de grande porte, válidas a partir de 2025:

  • proibição de relações comerciais exclusivas ou outros conflitos de interesse com os times participantes;
  • convites definidos pelo ranking da Valve, o Valve Regional Standings (VRS), ou por qualificatórias abertas;
  • transparência sobre qualquer pagamento aos times além da premiação, com critérios objetivos que a comunidade pudesse conferir.

Na prática, o alvo eram dois modelos. A ESL tinha o acordo Louvre, firmado com um grupo de organizações que recebiam vagas garantidas e parte da receita do circuito. A BLAST mantinha seus times parceiros no BLAST Premier. Os dois sistemas lembravam as ligas franqueadas de outros jogos e deixavam pouco espaço para equipes de fora do grupo.

Como ficaram as regras da Valve no CS2

Em julho de 2024, a Valve publicou o documento detalhado de requisitos para organizadores. Os torneios passaram a ser divididos entre eventos ranqueados, que contam pontos no VRS e precisam usar o ranking ou qualificatórias para formar a lista de participantes, e eventos não ranqueados, com premiação limitada a US$ 100 mil por evento ou US$ 250 mil por ano. Convites diretos sem critério deixaram de existir nos ranqueados. A empresa também abriu exceções pontuais para eventos de 2025 que já estavam contratados.

Em fevereiro de 2025, o manual ganhou ajustes. O ranking passou a definir também em que fase cada time entra, para impedir que uma equipe pior colocada começasse mais à frente. A cada dez convites, até dois podem ir para convidados especiais, desde que cumpram critérios objetivos, como ter três jogadores vindos de um time do top 8 nos seis meses anteriores. O VRS também ganhou sub-regiões: as Américas podem ser divididas entre Norte e Sul, e a Ásia, entre Oceania, Ásia Oriental e Ásia Ocidental.

Dois jogadores contraterroristas avançam por um pátio com casas antigas e um cipreste no mapa Inferno, de Counter-Strike 2
Desde 2025, os convites para os torneios de CS2 seguem o ranking da Valve — Valve / divulgação (Steam) · divulgação

O fim do BLAST Premier e o circuito aberto

A BLAST usou 2024 como transição: disputou a última temporada do BLAST Premier com 16 times parceiros e fez a última World Final do formato. A partir de 2025, reorganizou o calendário em torneios abertos, como BLAST Bounty, BLAST Open e BLAST Rivals, com vagas decididas por ranking e qualificatórias. O acordo Louvre da ESL também deixou de valer com o prazo da Valve.

O resultado foi um calendário mais aberto, mas também mais disperso. Equipes passaram a disputar LANs menores para somar pontos no ranking, e analistas criticaram brechas no uso do VRS. A Valve reagiu exigindo que os organizadores usassem a versão mais recente do ranking na hora dos convites, para evitar manipulação com listas antigas.

O que mudou para os times brasileiros

Para o Brasil, o ranking aberto virou o caminho principal até os grandes torneios. Em vez de depender de convites de parceiros, os times passaram a acumular pontos em campeonatos regionais e internacionais. A FURIA foi quem mais aproveitou: terminou 2025 na liderança do ranking mundial da Valve e seguia em primeiro na atualização de 5 de janeiro de 2026. A IEM Rio 2026, por exemplo, distribuiu os convites com base no VRS daquela data.

A possibilidade de separar as vagas entre América do Norte e América do Sul também mexe diretamente com os brasileiros, porque define quantas equipes da região entram em cada torneio. Em junho de 2026, a FURIA chegou à final do Major de Colônia. O texto das regras e o ranking atualizado ficam no repositório oficial da Valve, e a cobertura do anúncio original está no Dust2.us.

Imagem de capa: Esports Kingdom / Wikimedia Commons · CC BY 2.0

ABPor André Bayer

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