Em junho de 2023, a Valve anunciou que não haveria mais Battle Pass no Dota 2. A decisão encerrou o modelo que, durante uma década, financiou as maiores premiações da história dos e-sports. O efeito apareceu no mesmo ano: o The International 2023 distribuiu cerca de US$ 3,4 milhões, menos de um décimo dos US$ 40 milhões de 2021.
Como o Battle Pass do Dota 2 bancava o TI
A ideia surgiu em maio de 2013, com o Compendium do The International: um item pago que dava acesso a recompensas no jogo e repassava 25% da receita para a premiação do campeonato. Com o tempo, o Compendium virou o Battle Pass, com níveis, missões, visuais exclusivos e conteúdo novo a cada temporada. A comunidade passou a acompanhar o crescimento da premiação quase como um placar.
O resultado foi uma escalada sem paralelo. A premiação passou de US$ 2,87 milhões em 2013 para US$ 10,9 milhões em 2014, US$ 18,4 milhões em 2015 e US$ 34,3 milhões em 2019. O auge veio no TI 2021, em Bucareste, com US$ 40.018.195, ainda hoje o maior valor já distribuído por um único torneio de e-sports. Em 2022, ainda com Battle Pass, a premiação caiu pela primeira vez, para US$ 18,9 milhões, no título da Tundra Esports em Singapura.
Por que a Valve acabou com o passe
No texto "Learning from the Past, Looking to the Future", publicado no blog do Dota 2, a Valve explicou que o Battle Pass tinha crescido a ponto de abranger praticamente todo o conteúdo produzido para o jogo ao longo do ano. Isso prendia lançamentos ao calendário do passe e consumia tempo de desenvolvimento que, segundo a empresa, poderia ir para recursos usados por todos. A Valve lembrou ainda que a maioria dos jogadores nunca comprava o passe.
No lugar, a empresa prometeu uma atualização temática do TI focada no campeonato, nos times e nas partidas, sem a avalanche de visuais. O Compendium do TI 2023 saiu em 28 de setembro, por US$ 7,49 na versão padrão e US$ 29,99 na completa, e foi recebido com críticas pela falta de conteúdo.

A queda da premiação do The International
Com o fim do passe, a Valve passou a garantir uma base de US$ 1,6 milhão e somar a ela 25% das vendas do Compendium. A conta mudou a escala do campeonato:
- TI 2021 (Bucareste): US$ 40,02 milhões;
- TI 2022 (Singapura): US$ 18,93 milhões;
- TI 2023 (Seattle): US$ 3,38 milhões;
- TI 2024 (Copenhague): US$ 2,60 milhões, o menor desde 2013;
- TI 2025 (Hamburgo): US$ 2,88 milhões;
- TI 2026 (Xangai): US$ 3,91 milhões.
O impacto ficou ainda mais claro no prêmio do campeão. Em 2021, a Team Spirit levou US$ 18,2 milhões pelo título. Em 2023, a mesma Spirit venceu de novo e recebeu US$ 1,52 milhão. Em 2025, a Team Falcons ficou com cerca de US$ 1,1 milhão. Para os jogadores, o TI deixou de ser a chance de ganhar uma fortuna em um único torneio e passou a pesar mais pelo prestígio.
No mesmo período, a Valve também encerrou o Dota Pro Circuit, o sistema de ligas regionais e Majors que levava times ao TI. A temporada de 2023 foi a última do circuito, e o calendário do Dota 2 passou a depender de torneios de organizadores independentes.
O que aconteceu depois
O The International continuou a ser o torneio mais importante do Dota 2, mas deixou de ser o mais rico dos e-sports. Desde 2023, o TI teve premiações abaixo de US$ 4 milhões, valores comparáveis aos de grandes torneios de outros jogos. A edição de 2026, em Xangai, teve a maior premiação desde o fim do passe, ainda muito longe dos tempos de Battle Pass, e terminou com o terceiro título da Team Spirit. A explicação da Valve foi resumida pela PC Gamer, e o histórico de premiações, na Wikipedia.
Imagem de capa: Valve (Steam) · divulgação



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