O Vanguard passou a ser obrigatório no League of Legends com a atualização 14.9, lançada em 1º de maio de 2024. O anti-cheat, criado pela Riot para o Valorant em 2020, roda em nível de kernel, a camada mais privilegiada do Windows, e carrega junto com o sistema. A troca substituiu o antigo sistema de proteção do LoL e foi a maior mudança técnica do jogo em anos.
A Riot havia testado o diagnóstico no servidor de testes (PBE) e mudou o plano de lançamento no começo de 2024, trocando a estreia global por uma liberação mais cautelosa antes de chegar a todas as regiões com a 14.9.
Por que um anti-cheat de kernel
O argumento da Riot é simples: trapaças modernas rodam com privilégios altos no sistema e só podem ser detectadas por algo que esteja no mesmo nível. No LoL, o problema maior não eram tanto os cheats de mira, como nos jogos de tiro, mas scripts que automatizam esquivas e combos e as fazendas de contas jogadas por bots, vendidas já no nível 30.
O custo é a confiança. Um driver de kernel tem acesso amplo à máquina, e qualquer falha pode derrubar o sistema inteiro. Em PCs com Windows 11, o Vanguard também exige TPM 2.0 e Secure Boot ativos, o que levou muita gente a mexer na BIOS pela primeira vez.
A reação dos jogadores ao Vanguard no LoL
Nos primeiros dias, o Reddit e as redes encheram de relatos de tela azul, drivers com defeito, conflitos com programas como o MSI Afterburner e até computadores que não voltavam a ligar. A Riot afirmou que menos de 0,03% dos jogadores relataram problemas e que, nos casos mais graves que investigou, o Vanguard não era a causa. Parte das queixas, porém, foi reconhecida depois.
Os jogadores de Linux foram os grandes perdedores. O LoL nunca teve versão oficial para o sistema e rodava pela camada de compatibilidade Wine; com o Vanguard, isso acabou. A Riot disse que eram cerca de 800 jogadores por dia nessa situação e que o risco de trapaça era alto demais. Máquinas virtuais e alguns serviços de jogo na nuvem também deixaram de funcionar.
Os números da Riot
Em agosto de 2024, a Riot publicou um balanço no blog oficial do League of Legends. Segundo a empresa, as horas diárias jogadas por bots caíram de mais de 1 milhão para menos de 5 mil, cerca de 3,5 milhões de contas de bot ainda não vendidas foram eliminadas e mais de 175 mil contas foram banidas. O uso de scripts nas ranqueadas teria caído para menos de 1% das partidas, e menos de 1 em cada 10 mil banimentos foi revertido como falso positivo.
O mesmo texto admitiu falhas: jogadores derrubados no meio da partida quando a conta era acessada em outro PC, confusão com TPM e BIOS, perda de desempenho com programas que tentam se conectar ao jogo e telas azuis em processadores Intel de 13ª e 14ª geração com firmware desatualizado. Vale lembrar que todos esses números são da própria Riot, sem auditoria independente.
O que aconteceu depois
- 2025: na atualização 25.6, o Vanguard passou a devolver PDL automaticamente a quem perdeu partidas por causa de trapaceiros, e a Riot ampliou o uso do sistema contra bots e boosting.
- Maio de 2026: uma atualização ativou proteções de IOMMU contra placas de trapaça por DMA, hardware que lê a memória do PC por fora. A Riot provocou os trapaceiros nas redes falando em "peso de papel de US$ 6 mil", foi acusada de danificar computadores e negou que o Vanguard estrague componentes.
- Junho de 2026: a Riot liberou um modo sob demanda, no qual o Vanguard só carrega ao abrir LoL, Valorant ou 2XKO, em vez de iniciar com o Windows. A opção exige Windows 11 25H2, Secure Boot, TPM 2.0, segurança baseada em virtualização e IOMMU ativos.
Dois anos depois, o Vanguard deixou de ser polêmica diária, mas segue sendo condição para jogar LoL no PC. Para quem joga no Brasil com máquina antiga ou Windows 10, a recomendação é manter BIOS, chipset e drivers atualizados antes de culpar o anti-cheat.
Imagem de capa: Riot Games / divulgação · divulgação



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