Em 25 de abril de 2024, a Battlestate Games lançou a Unheard Edition de Escape from Tarkov, nova versão premium do jogo de tiro com extração, por US$ 250. O pacote trazia vantagens dentro do jogo e, principalmente, um modo cooperativo contra inimigos controlados pelo computador, o PvE, disponível apenas nessa edição. A decisão provocou uma das maiores revoltas da história da comunidade de Tarkov e forçou o estúdio russo a recuar em poucos dias.
O que era a Unheard Edition de Tarkov
Escape from Tarkov estava em beta fechado havia anos, vendido em edições com preços diferentes. A mais cara até então, a Edge of Darkness, custava cerca de US$ 150 e tinha saído de venda em janeiro de 2024. A Unheard Edition ocupou esse lugar, por US$ 250, com itens e benefícios extras que parte dos jogadores logo classificou como pay-to-win, ou seja, vantagem comprada com dinheiro num jogo competitivo.
A novidade central era o modo PvE com progressão própria, em que o jogador explorava os mapas sozinho ou em grupo enfrentando apenas personagens controlados pela máquina, sem o risco de perder tudo para outros jogadores. Era um pedido antigo de quem gostava de Tarkov mas não suportava a dureza do PvP. Até então, a alternativa para jogar sozinho contra a máquina eram projetos feitos por fãs, à margem do jogo oficial.
O preço também chamou atenção. Com impostos em alguns países europeus, a edição chegava perto de 300 euros, valor muito acima do de um jogo completo, para um título que ainda não tinha data de lançamento definitivo naquele momento.
Por que a comunidade se revoltou
O estopim foi uma promessa antiga. A Edge of Darkness tinha sido vendida com acesso gratuito a todas as DLCs futuras. Quando o PvE saiu exclusivo para a nova edição, os donos da Edge of Darkness entenderam que a promessa estava sendo quebrada. A resposta inicial piorou a situação: o diretor de operações da Battlestate, Nikita Buyanov, escreveu no Reddit que o modo PvE não era uma DLC, e sim parte de outra edição do jogo.
A argumentação foi recebida como uma manobra semântica. A reação incluiu protestos no Reddit e nas redes sociais, pedidos de reembolso e ampla cobertura da imprensa internacional, que tratou o caso como exemplo de monetização agressiva num jogo que nem tinha versão final.
O recuo da Battlestate
Nos dias seguintes, o estúdio mudou de posição em etapas. Primeiro, ofereceu aos donos da Edge of Darkness acesso temporário ao PvE por seis meses e desconto para migrar para a nova edição. Como a reação continuou, Buyanov publicou um pedido de desculpas em que disse não ter previsto uma reação daquele tamanho e anunciou:
- acesso gratuito e permanente ao PvE para todos os donos da Edge of Darkness, liberado em ondas por falta de capacidade de servidores;
- a confirmação de que os donos da Edge of Darkness receberiam todas as DLCs;
- a manutenção da Unheard Edition à venda, com os itens e vantagens rebalanceados e recompensas extras para quem já havia migrado;
- a promessa de suporte a modificações no PvE depois do lançamento completo.
A comunidade recebeu as desculpas com desconfiança. Críticos apontaram que o tom era mais o de lamentar que os jogadores tivessem se sentido mal do que o de reconhecer o erro.
O que a polêmica deixou para Tarkov
O episódio arranhou a confiança de parte do público, num momento em que concorrentes começavam a disputar o gênero de tiro com extração. O modo PvE, por outro lado, se mostrou popular e acabou oferecido também como compra separada, mais barata, nos meses seguintes.
A polêmica ainda ecoou no lançamento da versão 1.0 na Steam, em 15 de novembro de 2025, quando a Unheard Edition voltou a ser discutida por jogadores insatisfeitos com o valor das edições. Hoje, Escape from Tarkov está fora do beta, e a Unheard Edition continua à venda no site oficial do jogo.
Imagem de capa: Battlestate Games / divulgação · divulgação



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