A escassez de PS5 e de Xbox Series X|S marcou o início da nova geração de consoles. A Microsoft lançou seus aparelhos em 10 de novembro de 2020, e a Sony colocou o PlayStation 5 à venda em 12 de novembro nos Estados Unidos, no Japão e em outros mercados. No Brasil, o PS5 chegou em 19 de novembro. Nos meses seguintes, comprar qualquer um deles pelo preço oficial virou uma disputa contra robôs, cambistas e estoques que se esgotavam em minutos.
Lançamento no meio da pandemia
Os dois consoles estrearam em plena pandemia de covid-19, com fábricas paradas, logística mundial travada e uma corrida global por semicondutores. Nos Estados Unidos, o PS5 custava US$ 499 na versão com leitor de disco e US$ 399 na Digital Edition. O Xbox Series X saiu por US$ 499, e o Series S, por US$ 299.
No Brasil, a Sony anunciou inicialmente R$ 4.999 e R$ 4.499. Às vésperas do lançamento, com a redução do IPI sobre consoles, os preços caíram para R$ 4.699 e R$ 4.199. Mesmo assim, o país ficou entre os mercados com o PS5 mais caro do mundo. A Microsoft fixou o Xbox Series X em R$ 4.999 e o Series S em R$ 2.999, segundo o Xbox Wire Brasil. Esses valores também baixaram depois do corte do imposto.
Cambistas, robôs e prateleiras vazias
A demanda reprimida encontrou uma oferta pequena. Nos Estados Unidos e na Europa, cada reposição de estoque virava notícia, e programas automatizados compravam unidades em lote para revendê-las em sites como o eBay. Reportagens da época registraram consoles de US$ 500 revendidos por cerca de US$ 1.000.
No Brasil, o cenário foi parecido: pré-vendas esgotadas em minutos, lojas com fila virtual e anúncios de revenda bem acima da tabela. Para quem queria jogar os lançamentos da nova geração, a alternativa muitas vezes era esperar ou pagar o ágio.
- A falta de chips afetou carros, celulares e placas de vídeo ao mesmo tempo, e os consoles disputaram a mesma capacidade de fábrica.
- O frete marítimo ficou mais caro e mais lento, o que atrasou reposições.
- Robôs de compra ampliaram a sensação de escassez ao esvaziar estoques assim que eles apareciam.
Microsoft e Sony repetiram por meses que a oferta continuaria apertada. As previsões iniciais falavam em normalização ao longo de 2021, mas a crise de semicondutores se estendeu, e o problema atravessou também boa parte de 2022.

Quando a escassez de PS5 acabou
O marco do fim veio em janeiro de 2023. Durante a CES, Jim Ryan, então presidente da Sony Interactive Entertainment, disse que a falta de PS5 tinha acabado, anunciou 30 milhões de unidades vendidas e afirmou que dezembro de 2022 havia sido o melhor mês de vendas do console, segundo a NPR. Ainda houve falta pontual em algumas lojas nas semanas seguintes, mas a partir de 2023 o PS5 voltou a ficar disponível com regularidade.
A Microsoft nunca divulgou números oficiais de vendas do Xbox Series X|S. A empresa passou a apostar mais no Game Pass e, nos anos seguintes, levou parte de seus jogos para PlayStation e Nintendo.
O que aconteceu depois
Normalizada a oferta, o PS5 se firmou como o console mais vendido da geração. Segundo os resultados da Sony, o aparelho somava cerca de 95,3 milhões de unidades distribuídas até 30 de junho de 2026. A geração também ganhou novos modelos, como o PS5 Slim e o PS5 Pro.
A ideia de que os preços cairiam com o tempo, porém, não se confirmou. Em 2026, com a alta de memórias e de outros componentes, a Sony reajustou os preços no Brasil a partir de 2 de abril: o PS5 com leitor passou de R$ 4.499,90 para R$ 5.099,90, a Edição Digital foi de R$ 3.999,90 para R$ 4.599,90 e o PS5 Pro subiu de R$ 6.999,90 para R$ 7.499,90. Quase seis anos depois do lançamento, o console custa mais do que no primeiro dia.
A escassez de 2020 a 2022 deixou lições para a indústria: vendas por convite, limites por CPF ou por conta e filas virtuais viraram prática comum em lançamentos de hardware. Para o jogador, ficou a lembrança de uma geração que, por quase dois anos, foi mais vista em vídeos do que nas prateleiras.
Imagem de capa: Kyu3a / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0




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