Em 25 de outubro de 2024, Call of Duty: Black Ops 6 chegou às lojas e, pela primeira vez, a um serviço de assinatura no dia do lançamento: o Xbox Game Pass. Era o primeiro grande resultado prático da compra da Activision Blizzard pela Microsoft, concluída um ano antes. A aposta de colocar Call of Duty no Game Pass durou só dois lançamentos, Black Ops 6 e Black Ops 7, e mexeu tanto com o preço do serviço quanto com a forma de vender a maior série de jogos da empresa.
A preparação: Game Pass mais caro antes de Black Ops 6
A Microsoft preparou o terreno em julho de 2024. O Game Pass Ultimate subiu de US$ 16,99 para US$ 19,99 por mês nos Estados Unidos, e o PC Game Pass, de US$ 9,99 para US$ 11,99. Ao mesmo tempo, a empresa anunciou um novo plano, o Game Pass Standard, por US$ 14,99, sem acesso aos lançamentos no dia 1. Na prática, quem quisesse jogar Black Ops 6 pelo serviço no console precisava do plano mais caro.
O efeito de Call of Duty no Game Pass e nas vendas
Os números divulgados pelas empresas foram de recorde. No balanço de outubro de 2024, o presidente da Microsoft, Satya Nadella, disse que Black Ops 6 teve recorde de jogadores no primeiro dia e gerou o maior número de novas assinaturas do Game Pass já visto num dia de lançamento, sem informar quantas. Depois, a Microsoft chamou o jogo de maior lançamento da história de Call of Duty em total de jogadores, horas e partidas, e a Activision afirmou que os 30 primeiros dias foram os maiores da série.
O temor de que o Game Pass canibalizasse as vendas não se confirmou nos Estados Unidos, pelo menos no curto prazo:
- Black Ops 6 foi o jogo mais vendido de outubro de 2024 no país, segundo a Circana;
- nas duas primeiras semanas, as vendas em dólares superaram em 23% as de Modern Warfare III no mesmo período;
- a própria Circana avaliou que não houve canibalização massiva, embora a fatia de vendas tenha se deslocado para o PlayStation, já que parte dos jogadores de Xbox jogava pela assinatura;
- o gasto com assinaturas nos Estados Unidos cresceu 16% na comparação anual, puxado pelo Game Pass.
No Reino Unido, houve relatos de queda nas vendas físicas, e analistas atribuíram parte dela ao Game Pass, mas sem dados que isolassem esse efeito.
Black Ops 7, novo aumento e o recuo
Em outubro de 2025, o Game Pass Ultimate subiu de novo, para US$ 29,99 nos Estados Unidos, e Black Ops 7 chegou ao serviço no lançamento, em 14 de novembro de 2025. Desta vez o cenário foi outro: o jogo teve recepção ruim, vendas abaixo do esperado e concorrência direta de Battlefield 6.
Em 21 de abril de 2026, a Microsoft mudou de rumo. O Game Pass Ultimate caiu de US$ 29,99 para US$ 22,99 por mês, e o PC Game Pass, de US$ 16,49 para US$ 13,99. Em troca, os novos Call of Duty deixaram de entrar no serviço no dia do lançamento e passaram a chegar ao catálogo cerca de um ano depois. Os jogos antigos da série continuaram no Game Pass. Asha Sharma, CEO da Microsoft Gaming, escreveu no X que o Ultimate tinha se tornado caro demais para muitos jogadores.
O que ficou da experiência
O primeiro jogo afetado foi Call of Duty: Modern Warfare 4, lançado em 23 de outubro de 2026 sem estar no Game Pass. A experiência de dois anos mostrou os dois lados do modelo: Call of Duty é capaz de atrair assinantes em massa, mas o custo de colocá-lo no serviço acabou repassado aos assinantes em preços cada vez maiores. Ao voltar a vender o lançamento separadamente, a Microsoft trocou o argumento do tudo incluído por um Game Pass mais barato. As condições atuais do serviço estão na página oficial do Xbox Game Pass.
Imagem de capa: Activision / divulgação · divulgação




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