O lançamento de Battlefield 2042, em 19 de novembro de 2021, é lembrado como um dos piores tropeços da história da série da EA. O jogo da DICE chegou a PC, PlayStation e Xbox prometendo batalhas com até 128 jogadores nas plataformas da nova geração, mas foi recebido com bugs, recursos ausentes e decisões de design que afastaram os fãs. A reação gerou uma petição de reembolso com mais de 200 mil assinaturas, e a recuperação levou anos.
A expectativa era alta. Battlefield 2042 foi revelado em junho de 2021 com um trailer que viralizou e prometia o maior Battlefield já feito, com três frentes: o modo principal All-Out Warfare, o Battlefield Portal, ferramenta para criar partidas com mapas e armas de jogos antigos da série, e o Hazard Zone, um modo de extração em esquadrões.
O que deu errado no lançamento de Battlefield 2042
Os problemas apareceram já no acesso antecipado, uma semana antes da data oficial. Entre as críticas mais repetidas estavam:
- bugs e problemas de desempenho, de personagens presos no cenário a quedas de taxa de quadros;
- recursos básicos da série ausentes no lançamento, como o placar completo da partida e o chat de voz;
- a troca das tradicionais classes por especialistas, personagens com habilidades próprias que podiam usar qualquer arma, o que, para muitos, apagou o trabalho em equipe típico de Battlefield;
- mapas enormes e vazios, pouco adequados mesmo com 128 jogadores.
A petição de reembolso e a fuga de jogadores
A insatisfação virou mobilização. Uma petição no Change.org pedindo que a EA oferecesse reembolso a todos os jogadores, em todas as plataformas, ganhou força no início de 2022: passou de 25 mil para mais de 70 mil assinaturas em poucos dias e superou 200 mil nos meses seguintes. Ao mesmo tempo, jogadores relataram ter conseguido reembolso na Steam mesmo fora da política padrão da loja, que limita o pedido a duas horas de jogo, embora a Valve não tenha comentado os casos.
Os números de jogadores refletiram o desgaste. Ao longo de 2022, a média de jogadores simultâneos na Steam despencou, e em determinado momento ficou abaixo de mil, enquanto Battlefield V, lançado três anos antes, tinha mais gente jogando.
Em 1º de fevereiro de 2022, ao apresentar os resultados trimestrais, o presidente-executivo da EA, Andrew Wilson, admitiu que o jogo não atingiu as expectativas. Ele atribuiu parte dos problemas ao desenvolvimento feito de casa durante quase dois anos de pandemia e reconheceu que algumas decisões de design não agradaram a toda a comunidade. A EA disse estar totalmente comprometida em melhorar o jogo e adiou a primeira temporada para se concentrar em correções.
A recuperação de Battlefield 2042
A primeira temporada, Zero Hour, só chegou em junho de 2022. A partir daí, a DICE passou a refazer o jogo aos poucos: retrabalhou mapas, devolveu o placar e, no início de 2023, cedeu ao principal pedido dos fãs, reorganizando os especialistas em quatro classes tradicionais, com proficiência de armas por classe.
O esforço trouxe parte do público de volta. Em outubro de 2023, um fim de semana gratuito levou o jogo ao recorde de 107.376 jogadores simultâneos na Steam, quase dois anos depois do lançamento. Em 9 de abril de 2024, a EA anunciou que a temporada 7, Turning Point, seria a última, com o estúdio passando a se dedicar ao próximo Battlefield, mas com eventos e manutenção mantidos.
De fracasso a ponte para Battlefield 6
O último capítulo veio em 2025. Em agosto, depois do beta de Battlefield 6, Battlefield 2042 voltou a passar de 70 mil jogadores simultâneos na Steam, impulsionado por um desconto de 95% e por recompensas que podiam ser levadas ao novo jogo. Battlefield 6, lançado em outubro de 2025, foi construído em boa parte como resposta aos erros de 2042: classes de volta, mapas mais compactos e foco no combate de esquadrão.
Hoje, Battlefield 2042 segue disponível, sem novas temporadas, e serve de exemplo de como um lançamento ruim pode custar anos de trabalho a um estúdio. A página do jogo está na Steam.
Imagem de capa: EA / divulgação · divulgação




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