Novo: o resumo da semana dos games no seu e-mail, toda sexta.Assinar grátis
Games● Atualizado em 4 de novembro de 2026

Palworld: o 'Pokémon com armas' que vendeu milhões e virou alvo da Nintendo

Lançado em janeiro de 2024, Palworld teve 25 milhões de jogadores no primeiro mês. Em setembro, Nintendo e The Pokémon Company processaram a Pocketpair por patentes.

Arte de Palworld com personagem e criaturas Pals em campo aberto

Palworld chegou ao acesso antecipado em 19 de janeiro de 2024, no PC e no Xbox, e virou o fenômeno do ano em poucos dias. O jogo da produtora japonesa Pocketpair misturava sobrevivência, construção de bases e criaturas colecionáveis, os Pals, que podiam empunhar armas de fogo. A combinação rendeu o apelido de "Pokémon com armas", recordes de vendas e, meses depois, o caso Palworld Nintendo, um processo por violação de patentes movido pela Nintendo e pela The Pokémon Company.

Os números do lançamento

Palworld vendeu 5 milhões de cópias nos três primeiros dias e 8 milhões no Steam em seis dias, segundo a Pocketpair. Em 22 de fevereiro de 2024, a empresa anunciou 25 milhões de jogadores no primeiro mês: 15 milhões no Steam e 10 milhões no Xbox, onde o jogo também estava no Game Pass. Em fevereiro de 2025, o total passou de 32 milhões de jogadores em todas as plataformas.

Os números de jogadores e de vendas não são a mesma coisa. Os 10 milhões do Xbox incluem assinantes do Game Pass, que jogaram sem comprar o jogo, enquanto os 8 milhões do Steam eram cópias vendidas. Mesmo assim, para uma produtora pequena, até então conhecida por Craftopia, o resultado colocou Palworld entre os jogos independentes mais bem-sucedidos da história e fez dele o assunto dominante nas redes nas primeiras semanas de 2024.

  • Lançamento em acesso antecipado: 19 de janeiro de 2024
  • 3 dias: 5 milhões de cópias vendidas
  • 6 dias: 8 milhões de cópias no Steam
  • 1 mês: 25 milhões de jogadores (Steam e Xbox)
  • Fevereiro de 2025: mais de 32 milhões de jogadores

De "Pokémon com armas" ao tribunal

Desde os primeiros trailers, a semelhança visual de alguns Pals com Pokémon gerou discussão nas redes, e houve acusações de plágio de modelos. A Pocketpair negou. Quando a ação veio, porém, o argumento não foi direitos autorais sobre o visual das criaturas, e sim patentes de mecânicas de jogo.

Em 18 de setembro de 2024, a Nintendo e a The Pokémon Company entraram com o processo no Tribunal Distrital de Tóquio, com base em três patentes japonesas ligadas a capturar criaturas e invocá-las durante o jogo. As empresas pediram a suspensão das supostas violações e indenização de 5 milhões de ienes para cada uma, além de juros. O valor é pequeno para o porte das partes, o que indica que o objetivo principal era o pedido de bloqueio.

O andamento do processo da Nintendo contra Palworld

A Pocketpair afirmou que contestaria a ação e mudou partes do jogo para reduzir o risco. Uma atualização de novembro de 2024 (versão 0.3.11) alterou a forma de invocar os Pals, e outra de 2025 (versão 0.5.5) mexeu no planador com ajuda das criaturas. A empresa também apresentou como exemplos de técnica anterior jogos como The Legend of Zelda, ARK: Survival Evolved, Tomb Raider e Titanfall 2, para questionar a validade das patentes.

Em novembro de 2025, segundo os documentos do processo, Nintendo e The Pokémon Company restringiram a ação às versões antigas de Palworld, anteriores a essas atualizações. Em outubro de 2025, o Escritório de Patentes do Japão rejeitou um pedido de patente da Nintendo sobre captura de criaturas, numa decisão separada do processo.

Até o começo de novembro de 2026, não havia sentença sobre violação ou validade das patentes. Segundo a imprensa especializada, o tribunal deve indicar sua avaliação preliminar em 9 de novembro de 2026.

Palworld hoje

O processo não impediu o jogo de seguir. Palworld chegou depois ao PlayStation 5 e saiu do acesso antecipado com a versão 1.0, lançada em 10 de julho de 2026, anunciada durante o Summer Game Fest. Em outubro de 2026, o presidente-executivo da Pocketpair, Takuro Mizobe, disse estar aberto a conversar sobre uma versão para Nintendo Switch 2, mas nada foi anunciado. As novidades oficiais ficam no site da Pocketpair.

O caso é acompanhado de perto pela indústria porque pode definir até onde vai a proteção de mecânicas de jogo por patente, algo comum no Japão e nos Estados Unidos, mas que não existe da mesma forma em outros mercados, como o Brasil, onde a lei não permite patentear programas de computador em si.

Imagem de capa: Pocketpair / Steam · divulgação

ABPor André Bayer

Comentários

0 comentários