Em 18 de maio de 2025, a Activision anunciou o fim do Warzone Mobile, a versão para celular do battle royale de Call of Duty. O jogo saiu da App Store e do Google Play, deixou de receber temporadas e atualizações e parou de vender itens com dinheiro real. Os servidores ficaram ligados por mais quase um ano e foram desativados em 17 de abril de 2026. Foi um final rápido para um projeto anunciado em 2022 como a grande aposta da editora no mercado de celulares.
A promessa: o Warzone completo no bolso
O Call of Duty: Warzone Mobile foi apresentado em setembro de 2022, no evento Call of Duty Next, e chegou ao mundo inteiro em 21 de março de 2024, depois de um período de testes em alguns países. A proposta era ambiciosa: levar ao celular a experiência do Warzone de PC e console, com partidas grandes, o mapa Verdansk e progressão compartilhada com Modern Warfare III e o Warzone principal. Armas, níveis e o passe de batalha eram os mesmos em todas as plataformas.
O jogo convivia com o Call of Duty: Mobile, lançado em 2019 pela Tencent e pelo estúdio TiMi em parceria com a Activision, um dos jogos de tiro mais populares nos celulares, inclusive no Brasil. Dois jogos de Call of Duty disputavam o mesmo público, e a diferença de proposta era grande: o Call of Duty: Mobile foi pensado desde o início para telas pequenas e aparelhos modestos, enquanto o Warzone Mobile tentava reproduzir no celular um jogo feito para consoles e PCs.
Por que o Warzone Mobile encerrou
A explicação oficial foi curta. No comunicado, a Activision disse que o jogo "não atingiu nossas expectativas com os jogadores que priorizam o celular, como atingiu com o público de PC e console". Em outras palavras, o Warzone Mobile agradava a quem já jogava Call of Duty em outras plataformas, mas não conquistou quem joga principalmente no celular, justamente o público que sustenta o mercado mobile.
Os problemas apareceram desde o lançamento e ajudam a explicar o resultado:
- o jogo era pesado, exigia aparelhos potentes e foi criticado por otimização, aquecimento e consumo de bateria;
- a experiência em celulares intermediários, os mais comuns em mercados como o brasileiro, ficava bem abaixo da prometida;
- o Call of Duty: Mobile, mais leve e já estabelecido, continuou ocupando o espaço de jogo de tiro gratuito da marca nos celulares.
O que aconteceu com quem jogava
Quem já tinha o jogo instalado antes de 19 de maio de 2025 pôde continuar jogando até o desligamento dos servidores, sem conteúdo novo. Os COD Points não usados não foram reembolsados, mas a Activision ofereceu uma compensação: quem entrasse no Call of Duty: Mobile com a mesma conta Activision recebia o dobro dos COD Points que tinha no Warzone Mobile. Os itens comprados continuaram valendo nos jogos de PC e console ligados à mesma conta, como o Warzone e, depois, Black Ops 7.
Em fevereiro de 2026, a Activision publicou a data final em seu site de suporte, e os servidores foram desligados em 17 de abril de 2026. Os COD Points que restavam no Warzone Mobile se tornaram inacessíveis. Entre o lançamento global e a retirada das lojas, o jogo ficou menos de 14 meses à venda.
O que o fim do Warzone Mobile mostrou
O caso confirmou uma lição que outras editoras também aprenderam: adaptar uma experiência pesada de PC e console para o celular não garante público, porque quem joga no celular tem outros hábitos, aparelhos e expectativas. Há uma ironia no calendário: o Warzone Mobile saiu das lojas um mês e meio depois que Verdansk, o mapa que era seu principal atrativo, voltou ao Warzone de PC e console com enorme repercussão.
Hoje, a presença de Call of Duty nos celulares continua concentrada no Call of Duty: Mobile, que segue ativo. O Warzone principal continua gratuito em PC, PlayStation e Xbox. Os detalhes do encerramento estão na central de suporte da Activision.
Imagem de capa: Activision / divulgação · divulgação




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