Em 29 de setembro de 2022, o Google anunciou o fim do Stadia, seu serviço de jogos por streaming. O comunicado, assinado por Phil Harrison, vice-presidente e gerente-geral da plataforma, dizia que o Stadia não tinha ganhado entre os usuários a tração que a empresa esperava. Os servidores foram desligados em 18 de janeiro de 2023, e o Google devolveu o dinheiro de jogos e aparelhos comprados.
Foi o fim de uma aposta ambiciosa. O Stadia tinha sido apresentado na GDC de março de 2019 como a plataforma que dispensaria o console: o jogo rodaria nos data centers do Google e chegaria por vídeo ao navegador, à TV ou ao celular.
Um lançamento que nunca decolou
O serviço estreou em 19 de novembro de 2019, em 14 países: Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Irlanda, França, Alemanha, Itália, Espanha, Holanda, Bélgica, Dinamarca, Suécia, Noruega e Finlândia. O Brasil nunca esteve na lista. À frente do projeto estava Phil Harrison, executivo com passagens por Sony e Microsoft. O modelo também confundiu o público: em vez de um catálogo por assinatura, como o Game Pass, o jogador precisava comprar cada jogo a preço cheio, e a assinatura Stadia Pro oferecia descontos, alguns jogos e resolução 4K.
Faltaram jogos exclusivos de peso. Em 1º de fevereiro de 2021, o Google fechou o Stadia Games and Entertainment, divisão criada para produzir títulos próprios, incluindo o estúdio canadense Typhoon Studios, comprado um ano antes. Cerca de 150 funcionários foram afetados. A partir dali, ficou claro que a empresa tinha desistido de competir com Sony, Microsoft e Nintendo em conteúdo.

Antes do anúncio, o Google ainda tentou vender a tecnologia a outras empresas. Em 2022, a operadora americana AT&T ofereceu a seus clientes Batman: Arkham Knight por streaming, e a Capcom usou a estrutura do Stadia para uma demonstração de Resident Evil Village que rodava no navegador. As iniciativas não salvaram o serviço.
Como funcionou o fim do Stadia
O Google manteve o acesso às bibliotecas até o último dia, 18 de janeiro de 2023, e prometeu reembolsar:
- todo o hardware comprado na Google Store, como o controle e os kits com Chromecast Ultra;
- todos os jogos e conteúdos adicionais comprados na loja do Stadia.
A maior parte dos reembolsos, segundo a empresa, seria concluída até meados de janeiro de 2023. Na véspera do desligamento, em 17 de janeiro, o Google liberou uma ferramenta na web para ativar o Bluetooth do controle do Stadia, que assim pôde ser usado em PCs e outros aparelhos. O prazo para fazer a conversão foi prorrogado várias vezes e terminou em 31 de dezembro de 2025.
No comunicado, o Google disse que a tecnologia de streaming seria aproveitada no YouTube, no Google Play e em projetos de realidade aumentada, e oferecida a parceiros. A versão para empresas, porém, também acabou: em março de 2023, um executivo da companhia confirmou que a oferta para terceiros tinha sido encerrada junto com o Stadia.
O que aconteceu depois
O fracasso do Stadia não matou os jogos na nuvem, mas mudou a forma como o mercado os enxerga. Em vez de uma plataforma separada, que obriga o jogador a recomprar os jogos, o streaming virou um recurso a mais dentro de ecossistemas que já existiam, como o Xbox Cloud Gaming, incluído no Game Pass, o GeForce Now, que roda jogos já comprados em lojas de PC, e o streaming da PlayStation Plus.
O caso também virou exemplo de um risco que o jogador costuma ignorar: em plataformas que dependem só de servidores, a biblioteca existe enquanto a empresa quiser mantê-la. No Stadia, o reembolso evitou prejuízo financeiro, mas os jogos comprados desapareceram junto com o serviço.
No Brasil, onde o Stadia nunca chegou oficialmente, a discussão sobre jogos na nuvem continua esbarrando na mesma questão que o Google subestimou: a qualidade e a estabilidade da conexão. O comunicado original pode ser lido no blog oficial do Google.
Imagem de capa: Official GDC / Wikimedia Commons · CC BY 2.0




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