Em 12 de dezembro de 2023, a Entertainment Software Association (ESA), entidade que representa a indústria de games nos Estados Unidos, anunciou o fim da E3. O fim da E3 encerrou 28 anos de história da feira que, por décadas, concentrou os principais anúncios do ano em Los Angeles, e oficializou o que já parecia inevitável desde o cancelamento da edição de 2023.
Durante boa parte dos anos 2000 e 2010, a Electronic Entertainment Expo era o calendário da indústria: as coletivas de Sony, Microsoft e Nintendo em junho definiam o que os jogadores comprariam nos meses seguintes. A última edição presencial foi em 2019.
A primeira E3 aconteceu em 1995, em Los Angeles, e já nasceu com um momento histórico: foi lá que a Sony anunciou o preço de US$ 299 do primeiro PlayStation, abaixo do Sega Saturn. Nas décadas seguintes, a feira recebeu revelações de consoles, conferências que viravam assunto por semanas e filas de horas para testar jogos ainda inéditos. Ao contrário da Gamescom, na Alemanha, e da Tokyo Game Show, no Japão, que seguem abertas ao público, a E3 nunca conseguiu se adaptar à mudança de formato.
O cancelamento da E3 2023
A edição de 2023 estava marcada para 13 a 16 de junho, em Los Angeles, e seria a primeira organizada em parceria com a ReedPop, empresa de eventos. Em 30 de março de 2023, a ESA e a ReedPop cancelaram tanto o evento presencial quanto o digital. Segundo o comunicado conjunto, a feira não havia despertado "o interesse contínuo necessário" para ser realizada.
O cancelamento veio depois de uma série de desistências. A Nintendo disse que a feira "não se encaixava" nos seus planos daquele ano, a Microsoft optou por fazer o próprio evento digital, e a Sony já não participava da E3 desde 2018. Editoras como Ubisoft, Sega e Tencent também saíram da lista.
- 2019: última E3 presencial
- 2020: edição cancelada por causa da pandemia
- 2021: edição apenas digital, a última realizada
- 2022 e 2023: edições canceladas
- 12 de dezembro de 2023: fim oficial da feira

Por que a E3 acabou
Ao explicar a decisão ao jornal The Washington Post, o presidente-executivo da ESA, Stanley Pierre-Louis, afirmou que as empresas encontraram novas formas de chegar ao público, como as próprias apresentações transmitidas pela internet. Ele também citou o efeito da pandemia e a pressão econômica sobre eventos grandes. A ESA disse não ter planos para a marca, da qual continua dona.
A mudança começou antes da pandemia. Em 2011, a Nintendo lançou o formato Nintendo Direct, e a Sony passou a apostar no State of Play. Com transmissões próprias, cada empresa escolhe a data, controla a mensagem e fala direto com o consumidor, sem pagar estandes caros nem disputar atenção com concorrentes na mesma semana.
Summer Game Fest: quem ocupou o espaço da E3
O vazio foi ocupado pelo Summer Game Fest, criado em 2020 pelo apresentador e produtor canadense Geoff Keighley, o mesmo do The Game Awards. O evento manteve junho como o mês dos anúncios, mas num formato diferente: uma grande transmissão ao vivo, acompanhada por apresentações de outras empresas na mesma semana, como o Xbox Games Showcase, e por dias de demonstração para imprensa e criadores de conteúdo.
A edição de 2026 foi realizada em 5 de junho, no Dolby Theatre, em Hollywood, depois de três anos no YouTube Theater. Segundo a organização, a transmissão somou 62 milhões de visualizações ao vivo, 23% a mais que em 2025, e o serviço Streams Charts registrou pico de cerca de 3,8 milhões de espectadores simultâneos, recorde do evento.
O que mudou para o jogador
Para quem acompanha do Brasil, o modelo digital tem vantagens claras: tudo é transmitido de graça, com legendas e retransmissões de criadores de conteúdo em português, e não depende de cobertura presencial em Los Angeles. A contrapartida é a dispersão. Em vez de uma semana com tudo concentrado, os anúncios se espalham por dezenas de transmissões ao longo do ano.
Três anos depois do anúncio da ESA, ninguém tentou ressuscitar a E3. O Summer Game Fest virou o principal ponto de encontro de junho, mas as grandes empresas continuam guardando os anúncios mais importantes para as próprias apresentações.
Imagem de capa: Sergey Galyonkin / Wikimedia Commons · CC BY-SA 2.0




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