Cyberpunk 2077 chegou ao mercado em 10 de dezembro de 2020 como o lançamento mais aguardado do ano e saiu dele como um dos maiores fiascos da história recente dos games. O RPG da CD Projekt Red, estúdio polonês de The Witcher 3, funcionava razoavelmente bem em PCs potentes, mas rodava mal no PlayStation 4 e no Xbox One, com quedas de desempenho, erros gráficos e travamentos.
O jogo havia sido revelado em 2012 e sofreu três adiamentos em 2020: saiu de abril para setembro, depois para novembro e, por fim, para dezembro. A campanha de divulgação, com Keanu Reeves no papel de Johnny Silverhand, elevou a expectativa a um nível que o produto final não acompanhou, sobretudo nos consoles da geração anterior.
A retirada da PlayStation Store
Uma semana depois do lançamento, em 17 de dezembro de 2020, a Sony tomou uma decisão rara: tirou Cyberpunk 2077 da PlayStation Store por tempo indeterminado e passou a oferecer reembolso integral a quem havia comprado a versão digital. A Microsoft manteve o jogo à venda, mas também ampliou a política de reembolso e passou a exibir um aviso sobre o desempenho nos consoles antigos.
A própria CD Projekt pediu desculpas publicamente e orientou os jogadores insatisfeitos a solicitar o dinheiro de volta. O jogo só voltou à loja da Sony em junho de 2021, seis meses depois, ainda com o alerta de que a experiência no PS4 comum era inferior.
Investidores processaram a empresa
O estrago foi além da reputação. As ações da CD Projekt despencaram, e investidores entraram com uma ação coletiva nos Estados Unidos acusando a empresa de esconder que o jogo era praticamente injogável no PS4 e no Xbox One. O caso terminou em acordo de US$ 1,85 milhão, valor considerado baixo diante do tamanho da crise, e abrangeu quem comprou ações entre 16 de janeiro e 17 de dezembro de 2020.
No Brasil, o lançamento teve um ponto positivo pouco lembrado: Cyberpunk 2077 saiu com dublagem completa em português, algo ainda incomum para um RPG desse porte na época.
O caminho da redenção de Cyberpunk 2077
A recuperação foi lenta. A CD Projekt passou 2021 lançando correções e, em fevereiro de 2022, publicou a versão nativa para PS5 e Xbox Series X|S. Em setembro de 2022, o anime Cyberpunk: Edgerunners, da Netflix, renovou o interesse pelo universo de Night City e fez as vendas do jogo crescerem de novo.
A virada definitiva veio em setembro de 2023. A atualização 2.0, lançada em 21 de setembro, refez sistemas centrais do jogo:
- nova árvore de habilidades e revisão das classes de implantes cibernéticos;
- polícia reformulada, com perseguições que não existiam no lançamento;
- combate em veículos e inteligência artificial dos inimigos melhorada.
Cinco dias depois, em 26 de setembro de 2023, chegou Phantom Liberty, expansão de espionagem estrelada por Idris Elba, disponível apenas para PC, PS5 e Xbox Series X|S. A crítica recebeu bem o pacote, e o jogo passou a ser citado como exemplo de recuperação, ao lado de No Man's Sky.
O que aconteceu depois
Em 5 de junho de 2025, a Ultimate Edition saiu para o Nintendo Switch 2 no dia de lançamento do console. Em 26 de novembro de 2025, a CD Projekt informou que o jogo havia passado de 35 milhões de cópias, ritmo mais rápido que o de The Witcher 3, conforme o relatório do terceiro trimestre de 2025. Em 3 de julho de 2026, o estúdio anunciou a marca de 40 milhões de cópias vendidas, contando unidades avulsas e as da Ultimate Edition. Phantom Liberty, segundo a empresa, passou de 15 milhões de cópias.
Hoje, Cyberpunk 2077 segue como a principal fonte de receita da CD Projekt, enquanto a sequência, conhecida pelo codinome Project Orion, está em desenvolvimento sem data de lançamento. O caso deixou uma lição para a indústria: lançar um jogo inacabado custa caro, mas um estúdio disposto a trabalhar anos depois do lançamento ainda pode recuperar a confiança do público.
Imagem de capa: CD Projekt Red / Steam · divulgação




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