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Games● Atualizado em 4 de novembro de 2026

Cyberpunk 2077: do lançamento desastroso à redenção com Phantom Liberty

Lançado em dezembro de 2020 cheio de problemas, Cyberpunk 2077 foi retirado da PlayStation Store. Anos depois, virou um dos RPGs mais vendidos da década.

Arte de Cyberpunk 2077 com a protagonista V diante das luzes de Night City

Cyberpunk 2077 chegou ao mercado em 10 de dezembro de 2020 como o lançamento mais aguardado do ano e saiu dele como um dos maiores fiascos da história recente dos games. O RPG da CD Projekt Red, estúdio polonês de The Witcher 3, funcionava razoavelmente bem em PCs potentes, mas rodava mal no PlayStation 4 e no Xbox One, com quedas de desempenho, erros gráficos e travamentos.

O jogo havia sido revelado em 2012 e sofreu três adiamentos em 2020: saiu de abril para setembro, depois para novembro e, por fim, para dezembro. A campanha de divulgação, com Keanu Reeves no papel de Johnny Silverhand, elevou a expectativa a um nível que o produto final não acompanhou, sobretudo nos consoles da geração anterior.

A retirada da PlayStation Store

Uma semana depois do lançamento, em 17 de dezembro de 2020, a Sony tomou uma decisão rara: tirou Cyberpunk 2077 da PlayStation Store por tempo indeterminado e passou a oferecer reembolso integral a quem havia comprado a versão digital. A Microsoft manteve o jogo à venda, mas também ampliou a política de reembolso e passou a exibir um aviso sobre o desempenho nos consoles antigos.

A própria CD Projekt pediu desculpas publicamente e orientou os jogadores insatisfeitos a solicitar o dinheiro de volta. O jogo só voltou à loja da Sony em junho de 2021, seis meses depois, ainda com o alerta de que a experiência no PS4 comum era inferior.

Investidores processaram a empresa

O estrago foi além da reputação. As ações da CD Projekt despencaram, e investidores entraram com uma ação coletiva nos Estados Unidos acusando a empresa de esconder que o jogo era praticamente injogável no PS4 e no Xbox One. O caso terminou em acordo de US$ 1,85 milhão, valor considerado baixo diante do tamanho da crise, e abrangeu quem comprou ações entre 16 de janeiro e 17 de dezembro de 2020.

No Brasil, o lançamento teve um ponto positivo pouco lembrado: Cyberpunk 2077 saiu com dublagem completa em português, algo ainda incomum para um RPG desse porte na época.

O caminho da redenção de Cyberpunk 2077

A recuperação foi lenta. A CD Projekt passou 2021 lançando correções e, em fevereiro de 2022, publicou a versão nativa para PS5 e Xbox Series X|S. Em setembro de 2022, o anime Cyberpunk: Edgerunners, da Netflix, renovou o interesse pelo universo de Night City e fez as vendas do jogo crescerem de novo.

A virada definitiva veio em setembro de 2023. A atualização 2.0, lançada em 21 de setembro, refez sistemas centrais do jogo:

  • nova árvore de habilidades e revisão das classes de implantes cibernéticos;
  • polícia reformulada, com perseguições que não existiam no lançamento;
  • combate em veículos e inteligência artificial dos inimigos melhorada.

Cinco dias depois, em 26 de setembro de 2023, chegou Phantom Liberty, expansão de espionagem estrelada por Idris Elba, disponível apenas para PC, PS5 e Xbox Series X|S. A crítica recebeu bem o pacote, e o jogo passou a ser citado como exemplo de recuperação, ao lado de No Man's Sky.

O que aconteceu depois

Em 5 de junho de 2025, a Ultimate Edition saiu para o Nintendo Switch 2 no dia de lançamento do console. Em 26 de novembro de 2025, a CD Projekt informou que o jogo havia passado de 35 milhões de cópias, ritmo mais rápido que o de The Witcher 3, conforme o relatório do terceiro trimestre de 2025. Em 3 de julho de 2026, o estúdio anunciou a marca de 40 milhões de cópias vendidas, contando unidades avulsas e as da Ultimate Edition. Phantom Liberty, segundo a empresa, passou de 15 milhões de cópias.

Hoje, Cyberpunk 2077 segue como a principal fonte de receita da CD Projekt, enquanto a sequência, conhecida pelo codinome Project Orion, está em desenvolvimento sem data de lançamento. O caso deixou uma lição para a indústria: lançar um jogo inacabado custa caro, mas um estúdio disposto a trabalhar anos depois do lançamento ainda pode recuperar a confiança do público.

Imagem de capa: CD Projekt Red / Steam · divulgação

ABPor André Bayer

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