A maior parte do público da Brasil Game Show costuma passar horas na fila para jogar alguns minutos de grandes lançamentos dos games, como Fifa, Call of Duty e Assassin’s Creed. No entanto, há bem mais que jogos superproduzidos dentro da maior feira de games da América Latina. Quem andar até a área indie do evento ou fuçar bem nos estandes de grandes empresas como Sony e Microsoft, por exemplo, poderá encontrar bons títulos produzidos no Brasil, para todos os gostos. Há jogos de luta, quebra-cabeças e até mesmo novidades na realidade virtual, grande tendência do mercado de games nos últimos anos. Após gastar o sapato e os dedões na BGS, o Link indica aqui cinco produções brasileiras que se destacaram no Expo Center Norte. 

 Pixel Ripped 1989 é primeiro capítulo de série que presta homenagem aos games do passado com ajuda da realidade virtual
Pixel Ripped 1989 é primeiro capítulo de série que presta homenagem aos games do passado com ajuda da realidade virtual

MONOWHEELS VR

Quem faz: Imgnation, de Santa Maria (RS)

Plataformas: Oculus Rift, HTC Vive e PlayStation
Quando sai: primeiro semestre de 2018
Quem teve um Mega Drive nos anos 1990 provavelmente se lembra de Road Rash: um raro jogo de motocicletas que misturava corridas com combates – era possível vencer os adversários no talento ou usando paus, canos e outras armas encontradas pela pista. “Era o meu jogo favorito do Mega Drive”, diz Orlando Fonseca Jr., diretor de criação da Imgnation, empresa de Santa Maria (RS) especializada em realidade virtual. O gosto de infância virou inspiração para o novo título da produtora: previsto para o início de 2018, Monowheels VR é uma releitura “pós-apocalíptica” de Road Rash, trazendo de volta o aspecto de corrida e de combate do game clássico. “Também colocamos algumas pitadas de outras referências do cinema e dos games como Blade Runner e Mad Max”, diz Fonseca. No teste feito pela equipe do Link na BGS, com um HTC Vive, o game chamou a atenção pela jogabilidade interessante – apesar da dificuldade de aprender a dirigir com uma mão e usar a outra para o combate – e pelos gráficos. Outro ponto alto: apesar de ser um jogo de corrida em VR, Monowheels VR passou longe de causar enjoo. “Estamos trabalhando em vários truques secretos para evitar isso”, brinca Fonseca, que pretende lançar o game em todas as plataformas de realidade virtual em 2018.

Paulo Luis Santos, da Flux: game de luta inspirado em Tarantino
Paulo Luis Santos, da Flux: game de luta inspirado em Tarantino

GUTS

Quem faz: Flux Game Studio, de São Paulo (SP)
Plataformas: PC, PS4 e Xbox One
Quando sai: outubro de 2017 (PC) a início de 2018 (consoles)
Tirem as crianças da sala! Primeiro grande jogo autoral da Flux Game Studio, de São Paulo, GUTS é um game de luta diferente: no lugar de acabar com a barrinha de vida do adversário, é preciso desmembrar seus braços e pernas antes de acertar um golpe final. “É para ser mais exagerado e engraçado do que exatamente macabro”, diz Paulo Luis Santos, sócio da Flux. “É um jogo meio tarantinesco”, explica, fazendo referência ao diretor de filmes como Pulp Fiction e Cães de Aluguel. A intenção da Flux era inovar na estrutura clássica de jogos de luta como Street Fighter e Mortal Kombat — para arrancar um membro do adversário, é preciso acertar um golpe especial ou usar elementos do cenário, como serras e armadilhas. O resultado é bastante parecido com programas como Gigantes do Ringue ou Telecatch, mas com um toque de humor – e a jogabilidade, bastante divertida, atraindo tanto quem só esmaga botões como os fãs do gênero. “Para ser bom mesmo, vai ser preciso estudar os combos”, avisa o desenvolvedor.

Ana Ribeiro, a criadora de Pixel Ripped 1989: viagem direto aos anos 1980
Ana Ribeiro, a criadora de Pixel Ripped 1989: viagem direto aos anos 1980

PIXEL RIPPED 1989

Quem faz: ARVORE, de São Paulo (SP)
Plataforma: Oculus Rift, PSVR e HTC Vive
Quando sai: primeiro trimestre de 2018
Um dos jogos mais interessantes da Brasil Game Show tem sabor de anos 1980, como um “Stranger Things” da realidade virtual. Feito pela maranhense Ana Ribeiro, Pixel Ripped 1989 é uma viagem no tempo, ao mesmo tempo em que também aponta para o futuro. Isso porque Pixel Ripped é um jogo dentro de um jogo, “tipo Inception”, explica Ana: no game, você é Nicola, uma garota que se diverte entre as aulas com um console portátil inspirado no Game Boy. Enquanto finge prestar atenção na aula (e enganar a professora atirando canetas na lousa), Nicola tem de salvar Dot, a heroína de seu game favorito, todo pixelizado. Os dois ambientes, porém, se misturam graças a magias e vilões poderosos. É complexo, mas tudo se resolve muito bem na tela do jogo, em uma experiência que faz sentir saudade de tempos de lancheiras e pega-pega na escola. Segundo Ana Ribeiro, Pixel Ripped 1989 é apenas o primeiro game de uma série. “Em todos os jogos, você tem que lidar com o mundo real para poder se divertir em um jogo. Queremos fazer homenagem a outros consoles do passado, como o Atari”, diz a desenvolvedora, que é psicóloga e largou um emprego no Tribunal de Justiça do Maranhão para estudar e criar games, em 2012. Pixel Ripped 1989, conta ela, nasceu como um projeto de mestrado em games quando ela estudava em Londres. “Tudo nasceu de um sonho, e agora é realidade”, diz.

Starlit Adventures, da Rockhead, vai ganhar versão para o PlayStation 4.
Starlit Adventures, da Rockhead, vai ganhar versão para o PlayStation 4.

STARLIT ADVENTURES

Quem faz: Rockhead Games, de Porto Alegre (RS)
Plataforma: PS4
Quando sai: até o final de 2017
Com mais de 10 milhões de downloads para dispositivos móveis, Starlit Adventures é um dos principais cases de sucesso dos games brasileiros. Feito pela gaúcha Rockhead Games, veterana do cenário de desenvolvimento nacional, agora o game vai ganhar uma versão para o PlayStation 4. Com todas as principais funcionalidades da versão mobile, o quebra-cabeça, que guarda semelhança com jogos como Alex Kidd e Bomberman, se aproveita da tela grande da TV para mostrar seus gráficos fofos. No PlayStation 4, o game será gratuito, com microtransações. “A Sony começou a se abrir para jogos com microtransações recentemente, e achamos que fazia sentido estar nessa plataforma”, diz Rodrigo Chips, produtor responsável pelo game. “É diferente jogar com o controle do que com o celular. É muito diferente, mais simples. Trazer essa experiência para o console é algo que a gente queria há muito tempo”.

Shiny, da Garage 227, acaba de ganhar versão para o Xbox One
Shiny, da Garage 227, acaba de ganhar versão para o Xbox One

SHINY

Quem faz: Garage 227, de São Paulo (SP
Plataforma: Xbox One
Quando sai: já disponível na Xbox Live
Já lançado para os PCs em 2016, Shiny, primeiro grande jogo da paulistana Garage 227, acaba de chegar ao Xbox One – e pode ser testado no estande da Microsoft na Brasil Game Show. O jogo de plataforma tem como protagonista um robô (Shiny), cuja principal tarefa é resgatar outros amigos robôs ao longo de diversas fases. O problema é que, para dar vida nova aos outros androides ou executar tarefas especiais, como abrir portas, Shiny gasta parte de sua vida, transformando um simples desafio de saltar por aí em uma desafio pela escassez de recursos. “É como carregar um colega nas costas no trabalho ou no treinamento militar. Você dá energia para que o time vá em frente”, explica Daniel Monastero, sócio-fundador da Garage 227. O game também reflete parte da experiência de Monastero, que foi policial e trabalhou no Ministério Público por seis anos, antes de largar tudo em 2012 para virar game designer – e fazer um jogo em que não há violência nenhuma. 25

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